Quando ainda era estudante do ensino médio, tomei contato com as ideias de Freud e percebi a profundidade e o alcance surpreendente delas. Encontrei no pensamento freudiano explicações para muitos fenômenos humanos, desde pensamentos até sentimentos e comportamentos. Além da explicação, descobri também caminhos para lidar com um número significativo de sofrimentos por meio da psicanálise — caminhos, aliás, igualmente surpreendentes.
A psicanálise é tanto uma lente para olhar o mundo, a cultura e o ser humano quanto uma prática comumente chamada de “terapia” (ou terapia psicodinâmica). O método criado por Freud é conhecido como associação livre, e podemos dizer, em resumo, que tudo em uma sessão de psicanálise acontece por meio da palavra. O analisando encontra um ambiente seguro e de confiança, onde pode falar livremente sobre sua vida, seus sentimentos e sua imaginação, sem ser julgado. Além disso, conta com uma escuta especializada e com o profissionalismo necessário para conduzir uma verdadeira investigação que leva ao autoconhecimento. Momentos delicados e muito especiais podem acontecer em uma sessão de psicanálise — momentos capazes de ressignificar vivências e desencadear a força necessária para mudar, para melhor, os rumos da vida.
O trabalho com a técnica de Psicomotricidade Relacional, de André Lapierre, ofereceu-me uma experiência concreta dos conceitos freudianos. Essa técnica utiliza o jogo livre e traz para a dimensão do corpo e do comportamento a perspectiva interpretativa de Freud. Como é mais difícil “mentir” com o corpo, os movimentos da vida psíquica, que se desenrolam no inconsciente, emergem nas sessões de Psicomotricidade Relacional com grande intensidade. As pulsões de agressividade e sexualidade deixam de ser apenas ideias e, no jogo livre, tornam-se experiências plenamente vividas, que se oferecem à interpretação e à análise do participante, guiado pelo psicomotricista relacional. Com essa técnica, experimentei ferramentas de grande potência transformadora.
Hoje, após estudar e concluir a pós-graduação em Psicanálise Clínica, reconheço o mesmo potencial transformador nas sessões de psicanálise. A palavra, que revela segredos que uma pessoa pode guardar por muitos anos de si mesma, é também uma ferramenta capaz de mobilizar forças internas. Sessões de psicanálise bem conduzidas têm o potencial de contribuir significativamente para o enfrentamento e a superação de traumas, depressão, luto, ansiedade, fobias, medos, compulsões, obsessões, conflitos e fixações.
Ver a superação dos analisandos é o que me move. Um bom profissional pode contribuir de forma significativa para o bem-estar e a paz interior das pessoas. Ao fim do processo, o analisando pode caminhar com as próprias pernas, adquirindo condições para elaborar suas questões de maneira mais adequada e buscar, com clareza e objetividade, suas próprias respostas — cumprindo-se, assim, o papel do analista.